Reportagem do jornal italiano Corriere della Sera publicada nesta quinta-feira
Do Bol
Quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017 (18:20:03)
O papa Francisco admitiu que existe corrupção no Vaticano,
mas que aprendeu a encarar os problemas com "serenidade e viver em
paz", de acordo com uma reportagem publicada hoje (9) pelo jornal
"Corriere della Sera". "Existe corrupção no Vaticano, mas eu estou
em paz", disse o líder católico em 25 de novembro de 2016, durante um
encontro com representantes de ordens religiosas, e cujos detalhes foram
narrados pelo padre Antonio Spadaro na nova edição da revista "La Civiltà
Cattolica".
"Qual é o segredo da minha serenidade? Não tomo
remédios tranquilizantes. Os italianos sempre dão um belo conselho: para viver
em paz, precisa um pouco de 'indiferença'. Eu não tenho problema em dizer que
estou vivendo uma experiência. Em Buenos Aires, era mais ansioso, mais
preocupado. Hoje vivo uma profunda paz, não sei explicar", disse.
De acordo com Francisco, os cardeais e membros da cúria
sabem dos problemas internos do Vaticano e "todos queriam reformas"
no último conclave. "Nas congregações gerais antes do conclave que me
elegeu, falavam dos problemas do Vaticano e todos queriam reformas",
disse. "Mas se há algum problema, eu escrevo um bilhete a São José e
coloco embaixo de uma estátua no meu quarto, uma estátua de São José dormindo.
Ele dorme em cima dos meus bilhetes e eu durmo tranquilo", afirmou
Francisco.
Questionado sobre os escândalos de abusos sexuais dentro
da Igreja Católica, o Papa disse que a "disseminação dos abusos é
devastante", mas que o caso precisa ser visto como uma "doença".
"Se há religiosos envolvidos, é claro que está em
ação o diabo que estraga a obra de Jesus através de quem deveria, justamente,
anunciar Jesus. Mas vamos falar a verdade: isso é uma doença. Enquanto não nos
convencermos de que isso é uma doença, não se poderá resolver bem o
problema", comentou.
Segundo ele, "a cada quatro pessoas que praticam
abusos sexuais, duas já tinham sido vítimas". "O abuso é disseminado
pelo futuro, é devastante", citou, sem especificar a origem dos dados.
Francisco propôs como uma das soluções rejeitar candidatos
a seminários que tenham algum ponto comprometedor em seu histórico de vida e
acadêmico. "Por exemplo, nunca receber na vida religiosa ou em uma diocese
candidatos que tenham sido reprovados por outros seminários ou por um instituto.
É preciso pedir informações muito claras e detalhadas sobre os motivos de sua
reprovação", afirmou.
No início da semana, uma comissão criada pelo governo da
Austrália divulgou um relatório inédito sobre casos de pedofilia no país que
aponta que 7% dos sacerdotes católicos locais foram acusados de abusos desde os
anos 1950. O Vaticano, que possui regulamentações próprias e leis internas para
lidar contra a pedofilia e a corrupção, também já foi citado pelas Nações
Unidas a prestar esclarecimentos. Em setembro de 2016, a Santa Sé aderiu à
convenção da ONU contra a corrupção.

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