Do
R7
Quarta-feira,
07 de outubro de 2015 (16:42:57)
"Sou contra o
Neymar ser capitão do Brasil. Não tem perfil de um líder. Temos que tirar a
responsabilidade de cima dele (Neymar) e deixá-lo se divertir em campo. Não tem
que falar com o árbitro e ser o intermediário entre os jogadores e o treinador.
Ele é o maior ícone do futebol brasileiro nos
últimos dez anos, mas agora ele tem que jogar, não liderar."
Assim
Cafu definiu para a revista “FourFour Two" o que pensa de ver Neymar
capitão da Seleção. Suas declarações foram publicadas justo agora, que ele está
ao lado de Dunga, em Santiago. Ambos esperam chegar o difícil primeiro jogo do
Brasil nas Eliminatórias, contra o Chile, campeão da Copa América.
Cafu
é o contraponto dos 'auxiliares temporários' que Dunga tem chamado para
acompanhar o Brasil. Sua personalidade é forte, firme, contestadora. Não foi
por acaso que estava com a tarja de capitão na conquista do pentacampeonato em
2002. A pressão da CBF, de Ricardo Teixeira, era para que Felipão desse a
capitania a Ronaldo. O treinador fingiu que não entendeu e seguiu com o
lateral.
Cafu
sempre foi um grande líder por onde passou. Enfrentou com muita personalidade a
rejeição em vários clubes que fez testes. Tentava posição errada, meia,
atacante. Até que caiu pelo lado direito. Primeiro na ponta, daí o apelido.
Cafu é diminutivo de Cafuringa, antigo ponteiro direito do Fluminense e
Atlético Mineiro. Telê o fixou na lateral direita e deu no que que, um dos
grandes laterais da Seleção.
Quando
foi convocado pela primeira vez para a principal, por Falcão, teve contra si
uma campanha do humorístico da TV Globo Casseta & Planeta. O grupo vendia
camisetas com a inscrição: "não fui eu quem convocou o Cafu".
Magoado, o lateral nunca se curvou.
"Ele é o líder que
sabe cobrar o jogador. Discretamente durante as partidas, fala o que tem de
falar de maneira discreta. Orienta, chama a atenção, elogia e até xinga. Sem
ninguém perceber. Sabe ler o jogo. Troca ideia com os técnicos. É capaz de
mudar o esquema com apenas um balançar de cabeça do treinador. E sempre foi
esperto, malandro, na hora de cobrar, pressionar os árbitros. Sem escândalo,
briga. Apenas firmeza. O Cafu resume tudo o que um capitão da Seleção
precisa." O resumo é de Ronaldo, ainda em 2002.
Quatro
anos depois, na Alemanha, Ronaldo ouviu cobranças duríssimas de Cafu. Por estar
dez quilos acima do peso, como Adriano, e por ser o condutor das farras durante
a Copa, que terminavam às cinco horas da manhã. Quando Ronaldo respondeu que
quem estipulava o horário das folgas era Parreira, Cafu se calou. Sabia, no
íntimo, que o atacante estava certo. Para não criar uma crise, ficou quieto.
Era preferível que gritasse, xingasse. Criasse um escândalo internacional. Quem
sabe o Brasil e seu 'quadrado mágico', Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho
Gaúcho, não saísse de maneira tão deplorável do Mundial. Mas Cafu respeitou a
hierarquia. O comando de Parreira.
De 1990 a 2006, vestiu
a camisa da Seleção 149 vezes.
Diante do diagnóstico
de um dos maiores atacantes de todos os tempos do futebol mundial, não é de
estranhar a franqueza de Cafu em relação a Neymar. Ser o principal jogador da
Seleção é algo muito diferente de ser o líder do Brasil. Tomar a camisa 10 de
Oscar. Ter o privilégio de bater todas as faltas e pênaltis é uma coisa. Agora
ser o capitão da equipe é totalmente outra.
A
maior prova da incompatibilidade entre ele e a capitania da Seleção ocorreu na
Copa América. Ele não admitiu ser irritado, questionado, cutucado, xingado
pelos colombianos. Atitudes que são recorrentes em jogos de futebol. Não é por
ser uma das maiores estrelas do futebol mundial, milionário jogador do
Barcelona. Ele não será tratado com reverência. Ainda mais na América do Sul.
Em
vez de perceber que toda essa provocação era uma estratégia para abalá-lo,
travar mentalmente o mais talentoso brasileiro em campo, Neymar agiu como
menino irritadiço, mimado. Começou a devolver as provocações, palavrões, saiu
mentalmente do jogo. Fez o que os colombianos queriam o resultado foi um
desastre para a Seleção. Com direito a um ridículo princípio de briga após a
derrota brasileira. Ele fez a Seleção perder duas vezes o mesmo jogo. Foi
expulso. Esperou, segurou, gritou, xingou e cobrou satisfações do árbitro da
Fifa, o chileno Enrique Osses.
O
próprio coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi, viu a cena. Pediu para Neymar
ir para o vestiário do Brasil antes de se encontrar com o juiz. Seguranças
tentaram levá-lo. O jogador gritou e pediu que ninguém encostasse nele. Veio a
atitude patética. E a suspensão de quatro partidas.
A
CBF poderia recorrer. Seria muito mais fácil. E o brasileiro ter a pena
reduzida para dois ou três jogos. Se assim fosse, e o Brasil vencendo seus
jogos, ele só poderia atuar em uma eventual final. Ficaria mais de dez dias
apenas treinando. Ele estava sem férias. Dunga foi mal orientado pelo
departamento jurídico da Seleção. Acreditou que a punição valeria para a
próxima Copa América. Recomendou que seria melhor não recorrer, dispensar
Neymar para que descansasse. E chegasse 'voando' nas Eliminatórias.
Em nenhum momento
Neymar agiu como capitão. E pediu para ficar com seus companheiros. Aceitou a
dispensa. E nos dias seguintes estava em alto mar em iates aproveitando a vida.
Enquanto isso, seu time era eliminado da competição pelo Paraguai.
Cafu
foi nevrálgico. "Neymar não tem perfil de líder." O capitão do
pentacampeonato está ao lado de Dunga hoje no Chile. Que ele convença o
treinador. O talentoso jogador do Barcelona já tem a responsabilidade de ser o
único destaque real desta Seleção Brasileira. O que já é peso imenso para
qualquer atleta. É contraproducente carregar a faixa de capitão no braço. Não
leva a nada. Pelo contrário. Apenas o desgasta ainda mais mentalmente.
Forçar
liderança para quem não tem é estupidez.
Mesmo
que esse atleta seja Neymar.
Quem
pensa que ser capitão é uma bobagem não conhece futebol.
Não
conhece Bellini, Mauro, Carlos Alberto, o jogador Dunga.
Muito
menos Marcos Evangelista de Morais.
Esse
tal de Cafu disse o que Dunga, o técnico, precisava ouvir
Se
não quiser tomar atitude para o bem da Seleção.
Continuar
cedendo aos caprichos de Neymar...
Será
sua a decisão.
Assim como as
consequências...





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